Imagem daqui
eu pensava ser o mar
e nas ondas cristalinas
espelhava brancos d'alva
.
mas acordei grão de areia
no infinito deserto
sem árvores ou oásis por perto
.
agora... a chuva cai
me seca por dentro,
escolheu entre mim nas dunas,
as rosas do deserto.
.
rasgo sedento, finos cortes ao de leve.
como lâmina, as minhas unhas.
.
de seu caule sorvo gotas de vida
as que me levarão até à costa.
.
o oceano, por fora
me refresque então,
já que por dentro
é impossível
minimizar a minha sede.
a ouvir Victor & Leo
.

23 Mujimbo(s):
Por vezes nos sentimos mesmo assim: secos por dentro, como se qualquer água não fosse suficiente para nos alimentar. Mas a chuva da compaixão vem e nos renova, felizmente. Chuva virá, confie. Linda foto. Beijos carinhosos, ANGELa
Fiquei com uma imagem de grão pequenino, um quase nada em meio à imensidão do deserto; uma gota d ´água tragada pelo mar, a diluir-se em vastidão.
Remeteste-me ao poema do João Cabral de Melo Neto, Uma Faca Só Lâmina, abaixo um fragmento, que fez a aproximação ao seu Rosa do Deserto:
"...porque nenhum indica
essa ausência tão ávida
como a imagem da faca
que só tivesse lâmina..."
Abraço!
;)
Olá!
A poesia tem a grandeza, de mostrar, até da dor, a beleza. Lindo poema. Esta é minha primeira visita aqui, e gostei muito. Parabens pela linda página.
Um abraço
Socorro Melo
Oi querido,
Saudades daqui. Sua poesia sempre me toca.
Um beijo,
Tu sabes por que motivo a 'rosa do deserto' é rosa e do deserto.
Eu sei que este poema é dos mais lindos que tens escrito!
Beijo
Que poesia bonita.
Realmente bom, me tocou!
Gostei daqui.
Convido-lhe para visitar meu blog: (paulobouvier.blogspot.com)acho que vai gostar! Obrigado!
Olá, kimbanda!
Náufrago no deserto, com sede que chuva não mata. É assim que por vezes nos sentimos: incapazes de encontrar forma de matar a nossa sede.
Bonito, como sempre.
Abraço amigo.
Vitor
" A Rosa do Deserto" arde muitas vezes dentro de nós...É um fogo lento a aquecer o silêncio da saudade...Não há nenhuma água que consiga matar tanta sede...Com o tempo, aprenderemos que há coisas que vivem "coladas" a nós...
Beijos.
Graça
Kimbandamigo
Não desesperes. Ainda desci e subi a Leba com travão de mão a funcionar e a família comido, para ir passar duas semanas a Moçâmedes onde o meu sogro, goês, tal como minha mulher, era director da Alfândega.
Portanto, Amigo, não desesperes. Melhores dias virão e... melhor disposição.
Vivi oito anos em Angola (1966-1974) que foram magníficos. O meu terceiro filho é camundongo (freguesia da Sé, Luanda). Sou jornalista e fui director-adjunto do semanário «A PALAVRA» que se publicava em Luanda e era muito apreciado, felizmente e também muito censurado porque o poder colonial entendia que era pró-independentista…
Fui mobilizado para Luanda (ainda que contra vontade, porque era da Oposição, defendia a independência angolana, mas... já tinha dois filhos). Só voltei a Portugal, depois do 25 de Abril de 1974, data inesquecível.
Gostaria de ter mais bloguistas de Angola, de Moçambique e dos restantes PALOP. Do Brasil, tenho muitas e muitos, felizmente.
Creio que posso contar com a tua ajuda na divulgação da Minha Travessa que assim também será a VOSSA.
Obrigado
Kandandos
O deserto fermenta a imagem de sofrimento, angústia, sede.....
As flores que resistem suplicam pela chuva que não sacia a dor interior.
Uma poesia cheia de dor perdida e não compreendida.
Tens, como Florbela Espanca, a sede do infinito?
São tão lindos os teus versos. Deles eu tenho sede insaciável.
Beijo, meu querido.
Somos, mar de dia
grão de areia pela noite
nas horas de agonia
e do deserto
fazemos travessia
para que cá dentro
o sol possa voltar
e nos ensinar o caminho do mar
para de novo
à nossa terra
voltar!...
Amei este poema, conheço muito bem essa flor do deserto de Moçãmedes a Welwitschia, feia de folhas secas mirradas do sol mas que dá mais bela rosa do deserto...
beijinhos meu querido Guma, e na alma irás sentindo, pouco a pouco, que a vida é uma travessia do deserto, árido por vezes o cmainho, mas smepre acompanhado pelos seres invisiveis...porque a vida é assim...que bem que nós sabemos disso...
mais um kandando apertadinho com sabor a mar.
laura
Essa sede há de ser saciada!"Lembre-se de não me esquecer"...e tem jeito de não se lembrar? Sempre!
Beijuuss, feiticeiro amado, n.a. do lado de cá do Atlântico
O caminhar persistente de quem sabe quanto difícil é o caminho, mas que quer chegar ao destino desejado.
Olá Kimbanda,
Sublime!
( E mais não escrevo, porque seria tirar beleza de suas palavras!)
Bjs dos Alpes, com muito carinho
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...algumas sedes, não há água que as sacie...
Belo poema, amigo!!!
Beijos de luz e o meu carinho...
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Sublime Amigo Kimbanda,
Num mundo que se faz deserto, por vezes, tenho sede de encontar o amigo, qual grão de areia no infinito deserto, para lhe dar toda a água que tenho. Do orvalho do deserto - à semelhança da folhas da "rosa do deserto" - recebe-la-ei de volta.
Um kandando,
Jorge
Meu querido
Perante a beleza do teu poema...vou em silêncio...apenas sentindo.
Beijinhos com carinho
Sonhadora
Querido Guma.
Já estive aqui vezes sem conta e vezes sem conta o poema li.
Sempre fico sem conseguir encontrar as palavras para te dizer o quanto este poema me toca e entristece.
Como não posso adiar mais o sinal da minha presença, só te vou dizer que em todas as vidas há um sonho de ser mar e a tristeza de saber haver sedes que jamais serão saciadas.
Apenas gotas que, sorvidas uma a uma, nos permitem ir sobrevivendo.
Beijos e kandando com a minha infinita ternura.
Janita
Guma; recebi um poema lleno de sensualidad, escrito por meu amigo Javi do Uruguay, adorava que fosses ler e opinar, imagina meu riso, meu sorriso no dia que fazia anos de casada e sem festejar ahhhh. beijinhos.
laura
Poeta,teu poema tocou-me a alma...
Muito lindo e vem de encontro com o meu verdadeiro sentimento do momento...
PS. Amigo querido, perdoe-me por minha ausência aqui com você, perdi minha mãezinha, "ela se foi para sempre", e isso me deixou bastante desnorteada, causando meu afastamento do mundo virtual por algum tempo.
Mas adoro você e tudo que você escreve, viu?
Carinhos muitos pra ti.
Beijos de flor
Suelzy
O poema é muito bom, sim.
A imagem , uma beleza.
Fica bem, carissimo
Maravilha de poema, lindamente ilustrado, meu querido Kimbanda!
Post especialíssimo!
Gosto muito de vir aqui e estava com saudade. Andei mais ou menos afastada dos blogs amigos por duas razões: primeiro, porque tenho a impressão de que o blogger estava de mal comigo, não me permitindo postar comentários; segundo: inventei de publicar um livro e andei tendo muito trabalho. Mas já passou...
Abraço apertado, meu amigo!
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