Telas e Mambos do Gua

MEMORIZANDO A VIDA. ELA ACONTECE A TODO O INSTANTE

a vida é um tsunami dentro de um sopro

"ubunto em todos nós"

26/07/11

rosa do deserto

Imagem daqui



eu pensava ser o mar
e nas ondas cristalinas
espelhava brancos d'alva
.
mas acordei grão de areia
no infinito deserto
sem árvores ou oásis por perto
.
agora... a chuva cai
me seca por dentro,
escolheu entre mim nas dunas,
as rosas do deserto.
.
rasgo sedento, finos cortes ao de leve.
como lâmina, as minhas unhas.
.
de seu caule sorvo gotas de vida
as que me levarão até à costa.
.
o oceano, por fora
me refresque então,
já que por dentro
é impossível
minimizar a minha sede.



a ouvir Victor & Leo


.

23 Mujimbo(s):

Angela Fonseca disse...

Por vezes nos sentimos mesmo assim: secos por dentro, como se qualquer água não fosse suficiente para nos alimentar. Mas a chuva da compaixão vem e nos renova, felizmente. Chuva virá, confie. Linda foto. Beijos carinhosos, ANGELa

Canto da Boca disse...

Fiquei com uma imagem de grão pequenino, um quase nada em meio à imensidão do deserto; uma gota d ´água tragada pelo mar, a diluir-se em vastidão.

Remeteste-me ao poema do João Cabral de Melo Neto, Uma Faca Só Lâmina, abaixo um fragmento, que fez a aproximação ao seu Rosa do Deserto:

"...porque nenhum indica
essa ausência tão ávida
como a imagem da faca
que só tivesse lâmina..."

Abraço!

;)

Socorro Melo disse...

Olá!

A poesia tem a grandeza, de mostrar, até da dor, a beleza. Lindo poema. Esta é minha primeira visita aqui, e gostei muito. Parabens pela linda página.

Um abraço
Socorro Melo

Mayra Di Manno disse...

Oi querido,
Saudades daqui. Sua poesia sempre me toca.
Um beijo,

acácia rubra disse...

Tu sabes por que motivo a 'rosa do deserto' é rosa e do deserto.

Eu sei que este poema é dos mais lindos que tens escrito!

Beijo

Paulo Bouvier disse...

Que poesia bonita.
Realmente bom, me tocou!
Gostei daqui.

Convido-lhe para visitar meu blog: (paulobouvier.blogspot.com)acho que vai gostar! Obrigado!

vitorchuvashortstories disse...

Olá, kimbanda!

Náufrago no deserto, com sede que chuva não mata. É assim que por vezes nos sentimos: incapazes de encontrar forma de matar a nossa sede.

Bonito, como sempre.
Abraço amigo.
Vitor

Graça Pereira disse...

" A Rosa do Deserto" arde muitas vezes dentro de nós...É um fogo lento a aquecer o silêncio da saudade...Não há nenhuma água que consiga matar tanta sede...Com o tempo, aprenderemos que há coisas que vivem "coladas" a nós...
Beijos.
Graça

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Kimbandamigo

Não desesperes. Ainda desci e subi a Leba com travão de mão a funcionar e a família comido, para ir passar duas semanas a Moçâmedes onde o meu sogro, goês, tal como minha mulher, era director da Alfândega.

Portanto, Amigo, não desesperes. Melhores dias virão e... melhor disposição.

Vivi oito anos em Angola (1966-1974) que foram magníficos. O meu terceiro filho é camundongo (freguesia da Sé, Luanda). Sou jornalista e fui director-adjunto do semanário «A PALAVRA» que se publicava em Luanda e era muito apreciado, felizmente e também muito censurado porque o poder colonial entendia que era pró-independentista…

Fui mobilizado para Luanda (ainda que contra vontade, porque era da Oposição, defendia a independência angolana, mas... já tinha dois filhos). Só voltei a Portugal, depois do 25 de Abril de 1974, data inesquecível.

Gostaria de ter mais bloguistas de Angola, de Moçambique e dos restantes PALOP. Do Brasil, tenho muitas e muitos, felizmente.

Creio que posso contar com a tua ajuda na divulgação da Minha Travessa que assim também será a VOSSA.

Obrigado

Kandandos

Luís Coelho disse...

O deserto fermenta a imagem de sofrimento, angústia, sede.....
As flores que resistem suplicam pela chuva que não sacia a dor interior.

Uma poesia cheia de dor perdida e não compreendida.

Milene Lima disse...

Tens, como Florbela Espanca, a sede do infinito?

São tão lindos os teus versos. Deles eu tenho sede insaciável.

Beijo, meu querido.

Laura disse...

Somos, mar de dia
grão de areia pela noite
nas horas de agonia
e do deserto
fazemos travessia
para que cá dentro
o sol possa voltar
e nos ensinar o caminho do mar
para de novo
à nossa terra
voltar!...


Amei este poema, conheço muito bem essa flor do deserto de Moçãmedes a Welwitschia, feia de folhas secas mirradas do sol mas que dá mais bela rosa do deserto...

beijinhos meu querido Guma, e na alma irás sentindo, pouco a pouco, que a vida é uma travessia do deserto, árido por vezes o cmainho, mas smepre acompanhado pelos seres invisiveis...porque a vida é assim...que bem que nós sabemos disso...

mais um kandando apertadinho com sabor a mar.

laura

Regina Rozenbaum disse...

Essa sede há de ser saciada!"Lembre-se de não me esquecer"...e tem jeito de não se lembrar? Sempre!
Beijuuss, feiticeiro amado, n.a. do lado de cá do Atlântico

mfc disse...

O caminhar persistente de quem sabe quanto difícil é o caminho, mas que quer chegar ao destino desejado.

FlorAlpina disse...

Olá Kimbanda,

Sublime!

( E mais não escrevo, porque seria tirar beleza de suas palavras!)

Bjs dos Alpes, com muito carinho

mundo azul disse...

________________________________


...algumas sedes, não há água que as sacie...

Belo poema, amigo!!!

Beijos de luz e o meu carinho...

________________________________

Jorge disse...

Sublime Amigo Kimbanda,
Num mundo que se faz deserto, por vezes, tenho sede de encontar o amigo, qual grão de areia no infinito deserto, para lhe dar toda a água que tenho. Do orvalho do deserto - à semelhança da folhas da "rosa do deserto" - recebe-la-ei de volta.
Um kandando,
Jorge

Sonhadora disse...

Meu querido

Perante a beleza do teu poema...vou em silêncio...apenas sentindo.

Beijinhos com carinho
Sonhadora

Janita disse...

Querido Guma.

Já estive aqui vezes sem conta e vezes sem conta o poema li.
Sempre fico sem conseguir encontrar as palavras para te dizer o quanto este poema me toca e entristece.
Como não posso adiar mais o sinal da minha presença, só te vou dizer que em todas as vidas há um sonho de ser mar e a tristeza de saber haver sedes que jamais serão saciadas.
Apenas gotas que, sorvidas uma a uma, nos permitem ir sobrevivendo.

Beijos e kandando com a minha infinita ternura.

Janita

Laura disse...

Guma; recebi um poema lleno de sensualidad, escrito por meu amigo Javi do Uruguay, adorava que fosses ler e opinar, imagina meu riso, meu sorriso no dia que fazia anos de casada e sem festejar ahhhh. beijinhos.

laura

Flor da Vida disse...

Poeta,teu poema tocou-me a alma...
Muito lindo e vem de encontro com o meu verdadeiro sentimento do momento...

PS. Amigo querido, perdoe-me por minha ausência aqui com você, perdi minha mãezinha, "ela se foi para sempre", e isso me deixou bastante desnorteada, causando meu afastamento do mundo virtual por algum tempo.
Mas adoro você e tudo que você escreve, viu?

Carinhos muitos pra ti.
Beijos de flor
Suelzy

São disse...

O poema é muito bom, sim.

A imagem , uma beleza.

Fica bem, carissimo

Zélia Guardiano disse...

Maravilha de poema, lindamente ilustrado, meu querido Kimbanda!
Post especialíssimo!
Gosto muito de vir aqui e estava com saudade. Andei mais ou menos afastada dos blogs amigos por duas razões: primeiro, porque tenho a impressão de que o blogger estava de mal comigo, não me permitindo postar comentários; segundo: inventei de publicar um livro e andei tendo muito trabalho. Mas já passou...
Abraço apertado, meu amigo!