Telas e Mambos do Gua

MEMORIZANDO A VIDA. ELA ACONTECE A TODO O INSTANTE

a vida é um tsunami dentro de um sopro

"ubunto em todos nós"

26/01/12

Viagem ao centro de mim








entre o lodo e as estrelas
de um ponto ao outro, oscilo
repetindo o percurso
traído pela alma de quem chega,
partindo


percebo que a demanda
 não é oscilar de um ponto ao outro
porque entre o lodo
e as estrelas,
estão de premeio
aqueles que me cuidam
os amigos que me amam


nos extremos estão
os que me balançam
de forma imprevisível
e importantes também são
ao me fazerem perceber
que no meio estaria a virtude
não fosse humanamente
um estádio impossível










.










Os amigos, seguidores, leitores, companheiros, elos de uma corrente, que mesmo quando o provedor desta teia não colabora, ou a vida me prende a outros lugares e tarefas que não me permitem por aqui aparecer, estão sempre em mim presentes nas palavras escritas, ditas, nos gestos que me tocam e tatuam.


Na impossibilidade de vos visitar ler e comentar, por mais algum tempo, a todos, agradeço a presença e o carinho e fica a promessa de voltar à vossa companhia, tal me seja possível.

Amizade é algo que carregamos com leveza, mas intensamente.
É um conforto indescritível, o que há de melhor para ser vivido.


Durante este período que se está a prolongar para além do esperado, tenho presente a falta que me fazem, então diria, que amizade é algo sentido também pela saudade que provoca, como faltasse parte de mim mesmo.

Uma viagem, pressupõe, a sua preparação, a partida os "entretantos" e uma chegada.

A minha viajem seria isso, não fosse a chegada ser porventura, um outro ponto de partida, o desafio, o desconhecido.

Nesta viajem, o mais frágil da bagagem são os amigos, seu lugar cativo e de conforto estou a preservar.
Por isso aqui estou precisado de dar meus kandandos, que jamais serão o justo retorno, ao que de vós tenho recebido.

Que interessa, estar, passar, partir, chegar, senão se tiver com quem compartilhar?

Acresce o desejo natural, mas nem sempre possível de à nossa passagem, deixar-mos um bom legado, boas recordações.
Quem busca insistentemente o óptimo, passa-lhe despercebido o bom.


Cedo me tentaram ensinar que o óptimo era inimigo do bom. Não entendi logo, mas depois de perceber, tenho vindo a tentar esse equilíbrio.

Esse meio termo, dizem ser a virtude.
Eu nem sempre consigo lá permanecer.
Será que é humanamente possível?
Fico-me pela pela insistência de todos os dias aprender, reaprender, me recolocar e vos merecer.

Um "Inté" deveria ser algo como, "até breve".

Por mim, sinto que já passou uma eternidade, sem vos visitar.
Mas a saudade que vai aumentando, tem o lado bom de sentir,  que se ela se agiganta desmesuradamente, é porque vos tenho sempre presentes e a falta que me fazem é insubstituível.

Assim eu possa amenizá-la em breve!







Um dia...
a gente encontra-se


Acrílico sobre tela
Colecção particular




Textos e imagem: Guma

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06/12/11

1960








Ele fazia reparações em ferros de engomar, rádios de válvulas, televisões  e todas aquelas coisas que ao tempo se reparavam.

Hoje em dia quase nada se repara, porque é mais caro fazê-lo do que comprar outro electrodoméstico novo.
Outros tempos, outros hábitos, que em nada se comparam em termos de consumo e poupança também.

Não era um trabalho bem remunerado, mas havia trabalho, e do pouco se fazia uma vida que tinha um termo que hoje caiu em desuso, "uma vida remediada".

Faltavam poucos dias para o Natal e concentrou todos os esforços para despachar o que tinha de trabalho.

Chegada a véspera de Natal, chegou a casa tarde e descorçoado.
Alguns dos seus clientes tinham ficado de levantar os aparelhos arranjados e seria com esse pagamento que fizera planos para comprar algo singelo, como a sua magra carteira, para que os filhos tivessem uma pequena lembrança no sapatinho.
Mas foram poucos os clientes que em véspera de Natal tiveram tal preocupação.

Os filhos esperavam-no.
Não esperavam qualquer prenda, reconheciam as dificuldades.
Eram miúdos de tenra idade, mas percebiam que o importante era estarem todos juntos na ceia daquele dia especial.
O dia da família, são todos os dias, mas aquele marcava a diferença e isso eles sentiam-no.

Entrou em casa com um grosso barrote de pinho numa mão e na outra, a pasta de couro que sempre o acompanhava, pousou ambas as coisas, beijou os filhos como fazia de partida e à chegada a casa.
Eles um dia ouviram-no dizer a alguém, que o fazia quando saía para o trabalho, por não saber se voltaria. Fazia-o à chegada, porque era o seu manifesto prazer, por ter conseguido o trato de mais mais um dia, agradecido por voltar a vê-los, beijá-los e de novo abraçá-los.

Depois de os cumprimentar encafuou-se no seu quarto de trabalho.
Passaram-se horas e já perto da meia-noite, as travessas da consoada reaquecida foram colocadas à mesa, quando finalmente saiu do quarto.
O ar cansado e desiludido que trouxera, deu lugar ao brilho de seus olhos azuis e a amena cavaqueira descomprimia o ambiente que pairou enquanto ele esteve ocupado, trancado no dito quarto, fazendo ruídos estranhos que os meninos não sabiam a origem.

A árvore de natal sem prendas, assim continuou até à altura em que se foram deitar.

Acalmaram-se os corações com o beijo de boa noite do pai, que lhes aconchegou as cobertas.
Rapidamente adormeceram, sabiam que não valia a pena esperar pelo Pai Natal.  

Acordaram na expectativa de um dia como os outros, a felicidade não carecia mais de que o pão na mesa, o amor do pai, as brincadeiras do pião, do arco, jogar à bola descalços para não estragar os únicos sapatos que tinham.

Olharam para árvore de Natal de poucos enfeites,  agora de luzinhas apagadas, não tinha a mesma graça, mas souberam atentos dois pequenos embrulhos.

Cada um tinha um nome. 
Os seus nomes.

Os meninos, não são mais curiosos que os adultos, só não disfarçam tão bem.
Ansiosos perguntaram se podiam mexer, abrir, o que indicava ser deles.

Quanta surpresa e alegria.

Um dos embrulhos continha um barco.
O outro um carro.

Ambos feitos em madeira que ainda me vem o cheiro à memória.


- O que um pai natal com o coração nas mãos, e um barrote de pinho barato, pode fazer pela diferença!



Texto: Guma




Imagens: Google








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Amigos, leitores e visitantes desta Serra que é vossa.
Obrigado por subirem e descerem as montanhas da minha natureza.
Eu vou caminhar por aí.
Como não levo GPS, poderei até eventualmente ter algumas dificuldades em acertar com o caminho de volta, mas cá chegarei.

A TODOS UM FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO


Obrigado
Inté!


Ubunto em todos nós!

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03/12/11

Brincar ao faz de conta...






quando chovia
e  brilhava um sol glorioso,
os antigos me diziam,
das bruxas ser o dia.

agora,

estico um pingo, a seguir outro
e a criança que há em mim,
é aquela que balouço.


sol e chuva
tons em harmonia,
natureza em combinação.
apelo à magia,
ao faz de conta que perdura,
memórias balouçando
e o resto...
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o resto,
é pensamento livre,
 imaginação













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25/11/11

24/11/11

apneia





tecendo no jardim
esperando segurar na teia
o emaranhado de mim
que em cada gota de orvalho
mergulhou em apneia



Texto e imagem. Guma








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